Tese “Para renovar o PSOL São Paulo”

Sâmia Bomfim Carlos Giannazi

É hora de renovar nosso partido. Há quase uma década o PSOL São Paulo conta com a mesma direção, e defendemos que é necessária uma mudança. Acreditamos que o PSOL precisa ser um partido mais vivo e atuante, que se comunique com seus simpatizantes, organize de fato seus filiados e se incorpore nas lutas e movimentos do estado de São Paulo e de suas cidades.

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É hora de mudança

Essa tese busca representar um novo rumo para o PSOL, que supere o imobilismo atual do partido através dos exemplos de construção que já deram certo e já estão mudando a cara do PSOL. Não podemos mais aceitar um partido que só funciona de fato na época de Congresso e das eleições, precisamos de uma ferramenta que esteja todo dia na luta, que seja organizado para atender os municípios e esteja junto com a população mesmo nas horas difíceis. É para isso que nos organizamos.

O país em crise

A política brasileira está em crise total. Enquanto diversas investigações revelam os esquemas de corrupção dos grandes partidos, os ricos e poderosos fazem de tudo para manter seus privilégios, retirando direitos dos trabalhadores e reprimindo os movimentos sociais. Nesse cenário de crise, regularmente a população volta às ruas manifestando sua indignação e buscando uma alternativa política.

Temer hoje é aprovado apenas por 7% da população, foi denunciado criminalmente e mesmo assim continua no cargo. Aécio Neves está desmoralizado, Alckmin também está sendo investigado e o PSDB perde confiança sempre que defende Temer e seu governo. O PT também perdeu credibilidade e a possível delação de Palocci pode evidenciar ainda mais como esse partido entrou nos negócios corruptos do poder. A direita organizada nos movimentos MBL e Vem Pra Rua se esvaziou completamente após as denúncias contra seus líderes e hoje quem foi pra rua também é contra Temer e suas reformas. Ao mesmo tempo, um acordão contando com o apoio dos grandes partidos já se arma para acabar com a Lava Jato e outras investigações, armando mais uma “pizza”.

Uma alternativa necessária

É esse cenário complexo que o PSOL precisa disputar, dialogando com a maioria da população que está desencantada com a política e não quer o PT e nem o PSDB. O PSOL precisa falar com esses trabalhadores que querem lutar por seus direitos sociais, mas não aceitam a corrupção estrutural que toma conta das instituições. O PSOL é quem pode romper esse teatro encenado entre os partidos da ordem e apresentar uma nova política, defendendo os interesses da maioria do povo contra essa burguesia corrupta.

Essa maioria é negra, é mulher, é pobre, vive nas periferias e sofre com os serviços públicos. É uma maioria jovem, que cresceu nos governos do PT e não tem ilusão nesse projeto, que está contra o corrompido sistema partidário brasileiro. E é uma maioria desorganizada, que busca alternativa e só confia em saídas concretas.

Essa deve ser a disputa do PSOL, organizar os de baixo e rejeitar acordos e alianças com aqueles que governam o país há tanto tempo. O PSOL nunca votou nenhuma medida contra os trabalhadores, não está envolvido em nenhum caso de corrupção e tem autoridade política para ser a alternativa. O cenário é difícil, mas o PSOL é uma ótima ferramenta. É a nossa hora!

Nas cidades as lutas acontecem

Para que o partido se torne uma alternativa real de poder, precisamos construir desde baixo. É desde os municípios e movimentos de base que o partido se consolidará como alternativa. A crise econômica é mundial, é verdade, mas o dia a dia das pessoas acontece nas cidades. É em nível municipal que a maioria da população sente os efeitos da crise. Com a crise e o aumento do desemprego, aumenta a demanda por serviços públicos (entre 2014 e 2015, mais de 100 mil pessoas deixaram de ter planos de saúde privados, por exemplo), muitos deles de responsabilidade dos municípios, como educação infantil e saúde.

Em 2017 podemos ter uma situação generalizada de crises fiscais nos municípios que causem, em nível maior do que 2016, uma série de problemas nas prestações de serviços básicos, como saúde, educação e também podem gerar enfrentamentos entre governos e funcionalismo municipal. Medidas de ajuste já têm sido aplicadas em diversos municípios, via de regra atacando o funcionalismo público. Medidas que vão desde aumento de contribuição previdenciária até reajustes abaixo da inflação. Essa situação é generalizada, sendo aplicadas por prefeitos de todos os partidos, do PSDB (como Duarte Nogueira, ex-presidente estadual do partido) até o PT (de Edinho Silva, prefeito de Araraquara).

Apesar de serem questões municipais, por estarmos diante de um quadro geral de crise e enfrentamento, pensamos que é obrigação do Diretório Estadual organizar a intervenção combinada do Partido nas diversas cidades, criando uma cultura de integração e apoio mútuo entre os diretórios. Além disso, é também no espaço das cidades que se travam outras lutas fundamentais, como por moradia e transporte, a luta pelo direito à cidade.

A direção do partido precisa dar suporte aos diretórios municipais, bem como formação para que os mesmos tenham condições de antecipar situações como as que ocorreram em 2016, de atrasos nos pagamentos de salários do funcionalismo, e assim se prepararem para intervir.

A base do partido já tem tido iniciativas de articulação regional, integrando municípios, debatendo ações comuns, mas sem apoio da Direção. Esse tipo de iniciativa deve ser impulsionada pela Direção Estadual em todas as regiões do estado. Nossa proposta é que na próxima gestão se organizem encontros regionais periódicos em todas as regiões do estado. A partir dessas organizações é possível descentralizar as atividades de formação, cursos, oficinas, de maneira a dar autonomia para as regiões.

As novas figuras públicas e a renovação do PSOL

As eleições de 2016 mostraram que uma renovação pode acontecer no PSOL! Novas figuras públicas, especialmente jovens mulheres, foram eleitas em diferentes cidades do país. Assim aconteceu em Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Niterói e outras capitais e cidades de interior. Em São Paulo, além das vereadoras Mariana, em Campinas, e Fernanda, em Sorocaba, teve início uma experiência importantíssima: o mandato da vereadora Sâmia Bomfim na capital.

Servidora pública, jovem, feminista, ativista dos movimentos sociais, das redes e do PSOL, Sâmia tem feito um mandato que demonstra, na prática, como o PSOL pode estar sintonizado com a ampla parcela da sociedade que clama por renovação na política e por soluções estruturais para os problemas do povo. Em pouco mais de 6 meses de atuação, o mandato de Sâmia tem conseguido realizar grandes debates públicos, dentro e fora da Câmara Municipal; tem enfrentado as figuras da direita reacionária, como Fernando Holiday do MBL; e se tornado referência em pautas essenciais, como educação, saúde, cultura, funcionalismo público, direitos humanos, mulheres, LGBTs e negritude.

Essa renovação, que veio muito mais de fora para dentro do partido, pois não foi estimulada conscientemente por sua direção, agora mostra grandes resultados para a própria construção do PSOL. A partir do mandato de Sâmia, dezenas de cidades receberam materiais de mobilização para as Greves Gerais de 28/04 e 30/06 e diversas agendas foram realizadas na capital e no interior.

No âmbito estadual, o mandato do professor Carlos Giannazi é outro exemplo de organização e luta. Incansável defensor da educação pública de qualidade, Giannazi é também referência em todo São Paulo como porta voz da resistência ao governo Alckmin. Sempre foi presença marcante nas lutas LGBT e da cultura. São professores, artistas, lideranças sociais e comunitárias se organizando ao redor desse polo de resistência dos servidores públicos e da população em geral. Essa força fez Giannazi ser o deputado estadual de oposição mais votado em 2014.

Giannazi também teve uma presença fundamental como candidato a prefeito na capital em 2012, quando o PSOL fez a maior votação em legenda da sua história na cidade de São Paulo. Isso mostra a força de um projeto coletivo de partido que se coloque como alternativa ao PT e ao PSDB.

É possível fazer ainda muito mais! Queremos uma direção estadual que possa estimular mais processos como este, que abra espaço para o surgimento de novas figuras públicas, na capital e no interior, que estimule a construção de mandatos inovadores, mobilizados e coletivos e que renove o perfil do PSOL mantendo sempre seu caráter coerente e radical e superando os vícios da velha esquerda petista e burocratizada. É preciso abrir espaço, pois o novo quer e tem cada vez mais força para passar!

Comunicação

A renovação do PSOL passa também pelo uso de métodos novos de fazer e divulgar nossa política. A comunicação do partido através da internet precisa refletir a totalidade do PSOL no estado de São Paulo e servir para organizar e manter informada a nossa militância. É bem diferente do que acontece hoje.

A página no Facebook do PSOL estadual tem servido para divulgar o que acontece na capital e sobretudo os mandatos ligados a atual direção do partido. A cidade de São Paulo ocupa a maioria esmagadora das postagens entre as cidades. Campinas foi citada apenas 7 vezes e Sorocaba, onde o PSOL foi para o 2º turno no ano passado, apenas 11 vezes. Em toda a história da página. O mandato da Mariana Conti foi citado 3 vezes, Fernanda Garcia 2, Rose de Paula 1. Dr. Rodolfo, Bruno Lozzi e Renato Marques, nossos vereadores no interior, nunca foram citados. Enquanto Ivan Valente foi citado 173 vezes e Toninho Vespoli 202. O PSOL está vivo no interior do estado, prova disso são os vereadores que elegemos e termos conseguido ir para o segundo turno em Sorocaba. Essa vida precisa aparecer na comunicação do partido.

Poderíamos também estar usando os vários instrumentos que existem hoje para melhorar a comunicação do PSOL. O e-mail e o WhatsApp hoje estão acessíveis a praticamente todo mundo o tempo todo e o partido poderia estar divulgando suas posições por aí. No site estadual não há nem ao menos como se cadastrar para receber um boletim. Sabemos como o uso das redes sociais e do WhatsApp têm sido importante para mobilizar as pessoas e nisso o PSOL ficou para trás.

Mas não é só na internet que a comunicação do PSOL está falhando. Nunca tivemos um boletim impresso do partido no estado. Quem constrói a luta no dia-a-dia das cidades sabe como faz falta ter um material para fazer política. Precisamos renovar o partido para mudar tudo isso.

Hoje o PSOL perde uma oportunidade

Infelizmente, o partido hoje perde uma enorme possibilidade, nacionalmente e nas cidades. Ao invés de manter a independência para qual foi fundado, a atual direção do PSOL deixa o partido muitas vezes na órbita do PT, se recusando a construir a luta anticorrupção e se aliando sistematicamente a setores do petismo. Influenciados pela ideia de uma “onda conservadora” que assola o país, a atual direção do PSOL fez o partido se diluir no campo petista, ignorando a imensa maioria da população que rejeita tanto Dilma quanto Temer e Aécio.

Na prática, isso significou que o partido foi imobilista, tendo poucas iniciativas para a realidade. Sem lutar contra a corrupção para não ferir o PT, a direção do PSOL ficou sem política para um momento onde o regime e os grandes partidos estão completamente abalados por escândalos em sequência. Não tivemos um jornal, as atividades de organização e formação foram esvaziadas e as movimentações só aconteceram para preparar as eleições e o congresso do partido, sem política para o cotidiano das lutas e dos bairros.

Muitos filiados ficaram sem acompanhamento e sem informações ou possibilidades de atuação devido também a essa falta de política, mais preocupada em se manter do que em postular o partido para a realidade. Não se trata de uma crítica à militância dos companheiros da direção atual, muito valorosa, mas uma crítica à política de aderência ao PT, que impediu o PSOL de atuar com uma política independente contra todos os governos corruptos e afastou parte da população de nosso partido.

Precisamos de um PSOL que faça o enfrentamento contra todas as elites, estejam elas representadas por Dória, Alckmin ou Temer, ou sejam elas representadas pelo PT. Conquistamos nossa independência política em um caminho duro e não podemos recuar nesse momento, onde os partidos tradicionais estão em completa crise e a população busca uma nova forma de fazer política.

Eleições de 2016 e 2014 mostram o caminho e o perfil que o PSOL precisa ter

Tanto nas eleições para vereadores e vereadora, quanto para o executivo, o resultado eleitoral mostrou um perfil de candidatura e de partido que é esperado do PSOL e que nos aponta um caminho para o crescimento do partido. Elegemos oito vereadores no estado, quatro são mulheres, a grande maioria jovens. Nas eleições majoritárias também, os melhores resultados do partido no interior foram de candidatos e candidatas jovens.

Esse é o caminho que o PSOL deve seguir, valorizando sim nossos quadros já consolidados, mas abrindo espaço para que surjam novas figuras que representem as novas lutas, das mulheres, da negritude, das LGBT e da juventude.

É hora de renovar o PSOL! Somos milhares de militantes em São Paulo e juntos podemos mais!

Sâmia Bomfim (Vereadora do PSOL em São Paulo)
Carlos Giannazi (Deputado estadual do PSOL em São Paulo)
Maurício Costa (Diretório nacional do PSOL/Rede Emancipa de Educação Popular)
Zeneide Lima (Diretório nacional do PSOL)
Tatiane Ribeiro (Secretária geral do PSOL SP)
Estevan Campos (Diretório estadual e diretório municipal de Ribeirão Preto)
Evelin Minowa (Diretório estadual do PSOL)
Thiago Aguiar (Diretório estadual do PSOL e diretor da Revista Movimento)
Bruno Magalhães (Diretório municipal do PSOL)
Frederico Henriques (Secretariado Nacional do MES)
Mônica Seixas (Diretório municipal de Itu)
Luis Montanari (presidente PSOL Itu)
Annie Schmaltz Hsiou (presidenta PSOL Ribeirão Preto)
Breno Aragon (presidente PSOL São José do Rio Preto)
Beatriz Andrade (Diretório municipal de Americana)
Aline Sampaio Rodrigues Schmidt (Diretório municipal de Araraquara)
Esthefânia Roberta de Oliveira (Tetê) (Diretório municipal de Bauru)
Tamires de Sousa Arantes (Diretório municipal de São José dos Campos)
Dante Peixoto (Diretório municipal de São Carlos)
Cibele Ferreira (Diretório municipal de São Carlos)
Marina Macedo (Diretório municipal de São Carlos)
Airton Ferreira Moreira Junior (Diretório municipal de Rio Claro)
Maria Aldenir Mendes Cardoso (Diretório municipal de Rio Claro)
Eduardo Cuzziol Vinagre (Diretório municipal de Campinas)
Vinicius Costa (Diretório municipal de Itatiba)
Carolina Ucha (Direção estadual MES)
Davi Menezes (presidente PSOL Itapevi)
Alex da Mata (Diretório municipal de Itapevi)
Ana Laura Cardoso (Diretório municipal de Itapevi)
Dionatas Silva (Diretório municipal de Francisco Morato)
Edson Santiago (Diretório municipal de Francisco Morato)
Edmilson Costa (Diretório municipal de Franco da Rocha)
Ana Borguin (Diretora do Sindicato dos Metroviários)
Gabriela Ferro (Diretoria Executiva da UNE)
Guilherme Fregonese (DCE Livre da USP)
Leanir “Rapozão” (Movimento Nós da Sul)
Naiara do Rosário (Rede Emancipa de Educação Popular)
Vanessa Alves (Casa da Juventude de Perus)
Paula Kaufmann (Juntas!/Casa das Mulheres)

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